
O novo filme de David Cronenberg, ‘Cosmópolis’, é outra viagem emocionante na patologia da psique humana, da economia mundial moderna. Enquanto que a personalidade patológica dos personagens abrangem nos ‘estúdios de cinema’ de Cronenberg (de ‘Scanner’ para ‘Videodrome’ dos anos oitenta, ao penúltimo, ‘A Dangerous Method’). Falando sobre as doenças da sociedade moderna capitalista como um todo, é o primeiro filme de Cronenberg, que pode ser chamado ‘Open Social’.
Obscenamente rico, o bilionário Eric Packer (Robert Pattinson) uma manhã, se senta em sua limusine para ir cortar o cabelo, cruzando toda a cidade. Não seria bom escolher um cabeleireiro perto, ou fazê-lo no escritório? Sua insistência não era razoável, e queria ir a qualquer custo atravessando a cidade, paralisada pela chegada do presidente, desde ao funeral de uma estrela de rap e os transtornos ligados a estes eventos. Toda a trama do filme é, de fato, a viagem Packer, que ocupa a totalidade deste período de tempo. Surgem constantemente convidados na limusine, desde prostitutas a um proctologista, um ‘negro’ gigante com correntes de ouro da espessura de um dedo. A limusine é a fortaleza em que Packer faz sua viagem suicida através da metrópole.
Durante sua longa carreira no cinema, fazendo malabarismos com um orçamento mínimo para os filmes de terror, Cronenberg, depois de anos se tornou mestre notável da arte cinematográfica e, por último mas não menos importante, aos 70 ainda segue ligado a este mesmo conceito dos filmes que exploram o irracional, desde os dias de cyber-punk ‘eXistenZ’ (1999). ‘Cosmópolis’ é o primeiro filme baseado em seu próprio roteiro, baseado no romance de Don DeLillo, publicado em 2003.
O capitalismo e seu valor tem sido um problema que está fazendo ‘estourar as costuras’. Este tema tem pousado várias vezes no cinema nos últimos dez anos (‘Petróleo’, ‘Rede Social’, ‘Wall Street 2’). ‘Cosmópolis’, pode ser visto como uma continuação lógica da primeira e muito irônica ‘Wall Street’, onde o jovem milionário acaba em ruínas. ‘Cosmópolis’ é um contexto absurdo, às vezes engraçado e totalmente implacável. Ele é composto quase inteiramente de diálogos, que acontece em um lugar impenetrável para o mundo exterior, a limusine, fora da qual está cheia de vida: um grupo de anarquistas, protestando contra o capitalismo, os marxistas gritando slogans e jogando ratos mortos para as pessoas, artistas loucos, atirando tortas nas celebridades e, finalmente, uma ameaça real, um maníaco assassino quer matar o jovem milionário. No entanto, Packer está morto por dentro, não demonstra nada, nem sentimentos nem emoções, cercado por sua comitiva, a confusão da metrópole, e a construção de sua teoria de vida.
O mundo capitalista em ‘Cosmópolis’ é uma continuação – neste caso através da tela do computador – e a relação entre a pseudorrealidade da ‘existência’ e do corpo, como em ‘Videodrome’, onde, através TV, você perde a fronteira entre realidade e alucinação. ‘Cosmópolis’ é a ilustração sonora e um símbolo da loucura do mundo onde o termo ‘assimetria da próstata’ – o que é diagnosticado em Packer, não significa nada nele mesmo. Cronenberg dá as boas vindas ao espectador no caos e mergulha no ‘psicopata’: diálogo pretensioso e temas complexos da sociedade, economia, psicologia, durante o qual, por meio da riqueza de informações, deduções e raciocínio, começam a derreter. No entanto, todos os detalhes, todas essas informações são deliberadamente irrelevante… um fluxo de um vácuo perfeito, onde não há nada significativo. O império financeiro do protagonista está desmoronando, o mundo está ficando louco, e ele obstinadamente continua sua viagem esquizofrênica ao cabeleireiro.
Inicialmente, para o papel principal tinha sido eleito Colin Farrell, mas o diretor não se equivocou com Pattinson. É significativo que o vampiro galã, com um monte de fãs jovens, mudou o papel e provou ser não só atraente, mas um bom ator. Ironicamente, mesmo em ‘Cosmópolis’, tem desempenhado um sanguessuga, mais acessível para o público de mais idade. Cronenberg realiza tão brilhante como sempre, com ângulos, efeitos de iluminação e nuances neutras, mas brilhantes, perfeitamente adaptado para o cinema.
‘Cosmópolis’ é uma das paródias mais brilhantes do nosso sistema de valores e relacionamentos. No entanto, tome cuidado, quando o cérebro começa a derreter pela quantidade de informação, trate de desligá-lo antes da próxima cena. É ‘apenas um filme’. ‘Um grande filme’.
Via | Tradução: Meninas Vampiras (@mimigomes83)



































